terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Tudo que eu queria te mostrar
É melhor do que aqui
Quero lutar
E nunca desistir
Mas quero mudar
Quem sabe fugir
Quem vai me mostrar
Para aonde eu devo ir
Mas eu vi você
andando pôr ai
Sozinha, largada,
mas olhou para mim
Me mostrou um sorriso
Aquele sorriso
Que me conqu7istou
Me tirou o juízo
Me mostrou um sorriso
Aquele sorriso
E agora eu vou
Mas você me ensinou
A nunca desistir
Quem sabe um dia
Eu vou conseguir
E aqueles sonhos
Que um dia eu escrevi
Fizeram de mim
Um homem mais feliz
Porque eu consegui
Realizar
Tudo o que eu
Queria mostrar
E eu vou
Agora eu vou
Com, você pro infinito
E eu vou
Agora eu vou
Para onde os homens procuram
A felicidade
Um dia
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
A Roda Gigante
É engraçada como as coisas na nossa vida acontecem, um dia desses vi uma grande roda gigante e fiquei alguns por alguns minutos apenas observando. Como ele parece girar com uma grande imponência, como alguns tem medo de subir, enquanto outros estampam um imenso sorriso no rosto – o qual eu já conheço – por terem a dádiva dee estarem ali.Pensei então que do que é a vida senão uma grande roda gigante, que hora estamos lá em cima e hora lá em baixo? De que do que seria a vida do que não um grande ciclo onde as coisas começam e acabam no mesmo ponto, assim como um grão que “morre, nasce trigo, vive e morre pão”. Do que seriamos nós, pobres mortais se não víssemos as coisas por outro ângulo, por outros ares? Se não respirássemos um ar diferente de vez em quando?
Hoje vejo que na verdade, o parque não era tão de grandioso, a roda gigante não era tão gigante assim, mas que simples coisas me ajudaram a ver o mundo de uma maneira diferente, mostrando que nem tudo é como pensamos ser ou pensamos ter visto, fazendo com que não me esqueça que a vida é um só, e mesmo que pareça bobo, faça aquilo que te fazes feliz, como quem sabe...andar numa roda gigante.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Contando historias...
Certa vez, um casal que se amava muito queria muito ter uma filha, mas nunca conseguiam. Até que voltando do bosque, eles ouvem um choro entre as arvores e saiem correndo para ver o que era. Eles encontraram uma cesta com uma bebe dentro...um lindo bebe. Mais que depressa, eles pegam o cesto e levam para casa, tentando imaginar o que poderia ter acontecido para aquela jovem criança, com alguns meses de vida, estar abandonada no bosque. De qualquer maneira, eles adotaram a pequena e frágil menina e a deram o nome de Liz. Liz, foi crescendo, crescendo, crescendo e algo em especial despertava a curiosidade de seus pais adotivos. Ela queria voar, mas queria voar mesmo, não era confete não, ela fala
va em voar, sonhava em voar e até mesmo ficava batendo as asas para tentar sair do chão. Ela sempre dizia para os pais, “vou lá em cima, lá em ‘cimão’ mesmo, vou pegar nas nuvens e voltar para trazer um pouco para vocês”. E quanto mais ela crescia, essa vontade de voar aumentava. Quando Liz completara seus 10 anos, passa pela cidadezinha que ela morava um circo, não muito grande, mas um circo daqueles que saiam pelos vilarejos fazendo espetáculos e animando as crianças.Os pais adotivos, como todos os pais, levaram Liz para assistir o espetáculo. Nossa como ela ficou impressionada. O mágico, os palhaços e principalmente os equilibristas. Quando o espetáculo acaba, Liz sai correndo e vai conversar com apresentador do circo, que também era o ilusionista. Ela disse que tinha adorado o espetáculo, e pediu muito para que ele a ensinasse a voar. Ele responde curioso com o que a menina tinha dito, “
Voar? Eu ouvi bem, você disse que quer voar?”. A menina apenas balança a cabeça com um grande sorriso. Nesta hora, os pais de Liz chegam e começam a conversar com ilusionista que depois descobrem se chamar Zark. Depois de esclarecido o mal entendido, Zark pede aos pais da menina, para junto com sua esposa levá-la com eles, para a menina aprender o oficio do circo e depois de muita pratica, quem sabe até voar. Puxa...isso pega os pais de Liz de surpresa. Como é que alguém pede para levar a filha que eles amam tanto? Abandonar mais uma vez a menina que eles encontraram no bosque? Mas porque não dar a oportunidade da menina realizar seu grande desejo? Depois de muita conversa, eles deixam Liz ir com Zark e sua esposa, Morgana. Na despedida, aquela saudade apertando o peito. Abraça de um lado, beija do outro e finalmente Liz parte para uma jornada que ela nem imaginava o que estava por vim. E eles comeram a viajar para todos os cantos possíveis e imagináveis. Zark ensinava tudo que sabia para a menina, que de certa forma, levava muito jeito para a arte circense e Morgana tratava a menina como uma filha. Não demorou muito para Liz entrar no picadeiro e começar a ser malabarista e equilibrista. Ela nunca esqueceu sua primeira apresentação, não sabia se ol
hava para o publico, se jogava os malabares ou se saia correndo e voltava para atrás do picadeiro. Mas com tudo isso, a menina nunca tinha esquecido do seu sonho, do seu grande sonho que era voar, e sempre perguntava insistentemente para Zark e Morgana quando ela finalmente voar. Quando Liz completa 16 anos de idade, Zark e Morgana fazem uma festinha para ela, com o pessoal do circo e depois caminham com Liz para passear por uma floresta que tinha na cidade que dessa vez eles tinham parado. Liz, pergunta aos dois quando ela ia voar de fato. “Mas Liz, você já voa através do trapézio. Você rasga o ar com a sua beleza”. Mas a menina diz que não, que queria voar como os pássaros. “Mas Liz, isso é só uma aventura ou é algo especial para você”, pergunta Morgana, sendo imediatamente respondida por Liz dizendo que era isso que ela mais queria fazer no mundo. Ouvindo isso, Zark e Morgana trocam rapidamente olhares. Olham ao seu redor. Eles observam uma arvore a uns 100 metros de distancia deles e com uma altura que nem dava para ver o topo dela direito. “Liz, você vai voar agora. Está vendo aquela arvore ali? Suba nela e só pare quando estiver no topo”. A menina sem entender direito, segue as “ordens” daquele homem que durante 6 anos tinha cuidado dela como se fosse uma filha dele e ensinado tudo que ele sabia. “Tudo bem que em diversos momentos ele brigou comigo, disse coisas absurdas, mas ele tinha cuidado de mim”, pensava ela. A menina, começa a subir, subir, subir. Lá de baixo, Morgana começara a perder a menina de vista. Quando Liz chega no topo, ela dá um grito dizendo que chegou. Morgana agora toma a rédia as situação. “Se você tiver coragem, e realmente quiser voar...se solte da arvore...AGORA”. Liz apavorada com a altura e com a visão de tinha de baixo ficou com medo. “Vamos logo se solte”, disse Zark. Ao mesmo tempo a menina estava cheia de adrenalina e via a chance de realizar o que tanto quis e procurou, e de repente...
domingo, 6 de janeiro de 2008
O Elevador
Quando eu era mais nova - porque de velha não tenho nada – eu sempre brincava com minhas amigas sobre “adivinhações”, “o que é o que é?”, “quem sou eu?” e essas coisas que crianças adoram brincar. Lembro-me claramente de uma das perguntas, “qual o único meio de transporte que não faz curva?”, ficava pensando, pensando, pensando e para a minha surpresa, a resposta era um meio que me fascinada e me fascina ainda hoje, o elevador.
Não me lembro ao certo a primeira vez que entrei em um elevador, mas lembro que minha mãe disse que meus olhos brilhavam, brilhavam e minha boca custava a se fechar. Quando o elevador “falava” comigo perguntando o andar que eu queria ir, informando a hora certa, ou então avisando se o elevador estava subindo ou descendo me deixava mais fascinada ainda. Como se diz em marketing, este advento me deixou encantado, superando minhas expectativas. Ficava horas e horas tentando entender como aquele mecanismo funcionava e admito que até hoje não sei exatamente como acontece.

A vida é uma coisa bastante engraçada, o que me tirava o fôlego no passado hoje me faz refletir em como ele influencia o convívio humano. Desculpe-me a intimidade, mas você que está lendo esse texto seja em sua casa, esperando ou elevador ou nele mesmo, já deve ter passado por uma situação constrangedora dentro deste meio de transporte. Quando digo constrangedora, quero emplacar o mais amplo sentido desta palavra. Quantas vezes você já esteve do lado de uma pessoa desconhecida, cumprimentou a pessoa como uma voz bem baixa – quando falou alguma coisa – e não ouviu resposta do outro lado, indo os dois calados, estáticos sem dar uma palavra. Ou então quando, você mulher, se sentiu paquerada, ou até mesmo percebeu olhares mais insinuantes em direção ao seu corpo. Um dos que eu mais gosto é quando sempre tem um “gaiato(a)” para ficar de conversinha com você, quando o que mais se quer é chegar em casa, tomar banho e dormir.
Eu entendo, eu entendo tudo isso, mas você já se perguntou porque a maioria dos celulares não pega / pegava dentro do elevador? Por que a cada dia que passa malmente conhecemos o nosso vizinho de porta, ou então como em algumas vezes já aconteceu comigo que eu entro no elevador e vejo um rosto desconhecido, e para a minha maior surpresa, percebo que essa pessoa já mora no prédio há alguns anos. Porque a cada dia nos isolamos em nossos “mundos particulares” e esquecemos que não estamos no “mito da caverna” como já disse o grande filosofo Sócrates.
Acho que questionamentos como esse nos fazem repensar muito em como estamos levando a
nossa vida. Já diria Oswaldo Montenegro, “aonde você ainda se reconhece, na foto passada ou no espelho de agora”, na sua linda e triste canção “A lista” – a qual eu recomendo que todos ouçam, e a qual acredito que fala por si só.Se encontrarem o caminho parecido com o qual cheguei, uma série de possibilidades poderá surgir na sua cabeça. Sei lá, sair abraçando todos os quais nos rodeiam - o que para mim seria excelente, mas se não se acha tão audacioso, lembrem-se que se relacionar com quem está próximo conosco é necessário e fundamental para qualquer ser humano, além de ser bastante sadio, de se trocar experiências e laços afetivos e tantas outras coisas boas as quais podemos fazer.
Hebert Vianna
domingo, 14 de outubro de 2007
Poesia da Intensidade
Ando pela chuva tentando encontrar
um sentido para viver
tento enxergar, me esforço para achar
mas não sei onde procurar
Vejo pessoas andando pela orla
de uma lado a outro
ouvindo apenas o som do mar
vejo pessoas que pedem dinheiro para sobreviver
enquanto outras, esnobam o que tem
pessoas felizes, outras nem tanto
que tem fé ou ódio no coração
Pessoas que sofrem e custam a viver
e enxergam todos os dias
a miséria em sua frente
Pessoas que o mundo exclui
pessoas que excluíram o mundo
há também aquelas que se deparam com a morte
e principalmente aquelas que mesmo com as dificuldades
Vêem graça e uma beleza extraordinária em viver
Mas para elas, qual seria o sentido da vida?
Crianças a brincar, jovens a namorar
adultos a trabalhar, velhos a descansar
será que a nossa curta participação na terra
se resume a isto?
E esta tal pergunta sobre o sentido da vida,
será que existe algum sentido nela?
Creio que sim.
Assim como o céu e as estrelas
temos um objetivo em estarmos vivos
Existe um porque de nossos pulsos pulsarem
e nosso coração falar mais alto que nossa mente
Mas acima de tudo acredito também
que não devemos busca-la em coisas distantes
pois como já disseram....
"As melhores essências, são guardadas nos menores frascos"
Observe uma borboleta, ser que só vive um dia
seu objetivo alem de procriar a sua espécie,
é talvez
o de colocar mais beleza no mundo
Tente perceber as pequenas coisas
como um pássaro alimentando seus filhotes;
uma flor desabrochar;
o rosto assustado de uma criança que descobre uma nova lição;
o lápis de teu amigo ao lado que cai no chão
Mas não temos tempo, não temos tempo
nos importamos com tanta coisa fútil
que não damos atenção ao que realmente é importante
Se dê presentes diariamente
Leia mais, saia mais, curta mais, ouça mais
se dê o luxo de se embriagar
e o luxo de se embriagar pelas coisas que a vida tem a te oferecer
E ao fim do dia
Vá ao local mais alto, abra os braços
e admirando o por-do-sol
agradeça pôr estar ali
agradeça pôr ter a honra de assistir aquele espetáculo
agradeça pôr alem de viver, poder sonhar
pois podemos morrer sem nunca saber
o objetivo de nossas vidas
mas temos que morrer com a certeza
que a vivemos intensamente
quarta-feira, 27 de junho de 2007
A caixa mágica retangular
Há alguns dias atrás estive pensando algo que “volta e meia” me pego pensando, como a caixa mágica retangular nos deixa ociosos, preguiçosos, toma um tempo imenso do nosso dia-a-dia, nos prende e em algumas pessoas escraviza-as? Estava pensando também que há algum tempo, as famílias se reuniam à mesa para conversarem sobre o dia, o que cada um fez e essas coisas que só ajudam no relacionamento entre as pessoas, já hoje as famílias sentam ao redor de uma mesma televisão - isso é quando sentam, pois provavelmente cada membro da família tem a sua em seu quarto – e ficam calados engolindo tudo que a mesma vomita.
Dentre as matérias que estudo na faculdade, ou cadeiras como se fala em outras regiões do Brasil, existe uma na qual discutimos a realidade brasileira, o seu historio, a mídia, o poder coorporativo, entre tantos outros assuntos um tanto quanto polêmicos. Em uma dessas aulas falamos sobre a manipulação da mídia, os seus padrões de ocultação, fragmentação, inversão e indução e toda essa explanação feita pela professora só fez comprovar ainda mais minha tese.
Como posso ficar recebendo informações de um aparelho que tem o principio e objetivo de aumentar o faturamento de sua empresa, ao em vez de informar sobre o que está acontecendo? Como posso confiar em órgãos que não cumprem com a verdade, que quando acontece um acidente são extremamente sensacionalistas mostrando detalhes do fato, depoimentos de pessoas sofrendo e por fim depoimento de autoridades, as quais inibem a ação comunitária, apenas para reter um público? Como acreditar em um aparelho que não passa valores e cultura aos seus telespectadores e sim inutilidades na maior parte do seu tempo? Concordo que todos nos precisamos ver “besteira” para aliviar o nosso sofrimento diário, mas isso em maior parte do tempo?
Todos dizem que somos livres, e acredito que esse pensamento venha da idéia de não termos mis senhores nos comandando e muito menos algemas em nossos braços. Porém o que parece que poucos percebem é que nossa liberdade ainda nos é agredida, ainda nos é roubada. Não temos nossa liberdade de escolha, de opinião, de idéias completamente nossas. E até mesmo aqueles que acham que esse texto não os interessa por serem de esquerda, liberais, cabeças abertas ou qualquer outro segmento que fuja do habitual, lembre-se, essa idéia, essa ideologia também é passada para você pela mídia (ou por uma parte dela). Ela também quer que você seja dessa maneira, pois isso a alimentam e muitas vezes a solidifica.
Imagino que a melhor a maneira de não entrar nesta roda furiosa, é na verdade não participar dela. Agora acredito e compartilho da idéia do meu querido professor de história. Quero ler mais, escrever mais, produzir mais, conhecer novos lugares, novas pessoas, ver a paisagem que está ao meu redor, andar de bicicleta, jogar gude, empinar arraia, brincar de boneca, pega-pega, esconde-esconde, policia e ladrão, admirar o por do sol e tantas outras coisas que esquecemos de fazer. Não quero mais ficar deformando o estofado o sofá da minha casa. A solução enfim, é jogar a caixa mágica retangular pela janela, escada, pela varanda, etc e ver ela lentamente caindo através da ação gravitacional já explicada por Nilton e se espatifando no chão, vendo suas peças pouco a pouco se espalhando por um raio que pode ser calculado com a altura e o peso do equipamento, e assim voltar a viver.
Alias...é exatamente o que eu vou fazer agora!
terça-feira, 5 de junho de 2007
A voz das Urnas
Certa vez acordei normalmente. Era um dia de eleição. Como de costume, fui cumprir o meu dever cívico, e acima de tudo, atuar como um real cidadão. Ao chegar no posto eleitoral, percebi de longe um certo alvoroço, que inicialmente não pude identificar o porquê. Pessoas correndo de todos os lados, muitas falando desesperadas pelos celulares, muitos repórteres com suas máquinas, câmeras e microfones. Calmamente entrei e caminhei até a minha sessão eleitoral. A realidade que tinha avistado de longe, não era diferente até o caminho da sala. Ainda sem entender, entreguei meu titulo de eleitor, e perguntei ao mesário o que estava acontecendo, qual o motivo de tanta agitação. Ele apenas me respondeu, “veja você mesmo”.
Fui até a cabine eleitoral quando me deparei com algo que jamais imaginei ver em toda a minha vida, e que, por conseguinte, nunca tinha visto coisa no mundo parecida – tudo bem que não sou uma pessoa muito vivida, mas de qualquer maneira era realmente estranha a situação que agora irei narrar.
De frente a urna eleitoral, tentei apertar os botões referentes ao meu canditado. Nesta hora, a urna eleitoral, vejam bem, a urna eleitoral, me disse que estava de greve, e não iria aceitar voto algum, seja lá de quem fosse e para quem fosse, a não ser se esse voto, fosse um voto nulo, pois se mais de 50% dos votos forem nulos, a eleição seria anulada, e os candidatos não poderiam se candidatar novamente. Fiquei perplexo com a cena que acontecia. Mas ela não parou por ai. Continuou dizendo que todas as urnas do país não computariam um voto sequer, a não ser os nulos. “Nos estamos cansadas de toda vez ver vocês humanos, seres dotados de inteligência e polegar opositor, votarem, votarem e votarem, e nada mudar. Cansadas de ver e ouvir através das nossas amigas televisões e aparelhos de rádio que os candidatos eleitos só roubam, e não fazem nada para a população. Sei que isso não é de nossa conta, mas já que vocês, os seres superiores que fazem guerra, matam e destroem não fazem nada, alguém tem que fazer algo, e dessa vez quem fez fomos nós”. Narrou a urna.

Mais que de repente, uma repórter invade a cabina eleitoral e começa a fazer uma reportagem com essa urna. Fui me afastando, afastando, até sair completamente da cabine e por sua vez da sala, e fui passando nas outras sessões eleitorais. O discurso dito pela – vou chamar aqui de “minha urna” – minha urna se repetia.
Sem ter opção, voltei para casa com tudo aquilo na cabeça. Como é possível urnas fazerem greve? Será que eu realmente estava sóbrio? Aonde tudo aquilo iria parar?
Indo para o ponto de ônibus, parei em uma padaria que tinha uma televisão, e várias pessoas ao redor. Eufórica, a líder das urnas dizia que era para nós irmos as ruas e lutar por um futuro mais digno. Para sairmos da televisão, antes que elas começassem a distorcer os fatos e receber suas mesadas por parte dos políticos para que o caso fosse abafado. Curiosamente, quando ela acaba de falar a palavra “abafado”, o sinal de televisão é cortado e no lugar da entrevista, entra um programa esportivo.
Fico me perguntando, o que é mais correto? Ficar em casa, assimilando tudo que é vomitado para mim através dos meios de comunicação, ou de fato ir as ruas e lutar por algo mais digno? Até aonde todo esse alvoroço iria, e o qual seria a sua grande conseqüência?
Soube depois, que ao mesmo tempo em que tomava um cafezinho pensando em toda essa situação bizarra, os filósofos, sociólogos e intelectuais do Brasil, estavam todos reunidos tentando decifrar esse quebra-cabeça. Cheios de técnicas, tentavam encontrar uma solução emergencial, pois, não poderíamos ficar sem eleição, não poderíamos ficar sem votar e sem cumprir o nosso dever com a pátria.
Por outro lado, alguns políticos, serviram-se desse fato, como quem come em um banquete após ficar semanas sem ingerir nada. Fizeram a tão proibida “boca de urna”, distribuíram santinhos, adesivos. Alguns apoiaram as urnas, e outros descordaram profeticamente, deixando a população ainda mais confusa.
Por volta das 11 horas, o exército já estava nas ruas para segurar o povo e todo o “mangue” feito com a situação. Imaginem o que é para uma população urnas ficarem em greves e ninguém tomar uma solução, ou explicar o fato.
No percurso até em casa, o que mais vi, foram os bares cheios de gente enchendo a cara, tomando todas – mesmo sabendo que é proibida a venda de bebidas alcoólicas no dia de eleição. O que será que eles pensavam sobre tudo isso, se é que estavam sabendo do acontecido.

Após uma hora de engarrafamento, chego em casa, e mais que imediatamente ligo a televisão para ver as novidades da nomeada “Voz das Urnas”. Para a minha surpresa, a televisão dizia que tudo estava aos poucos sendo controlado, e que ainda hoje, os cidadãos brasileiros iriam votar no candidato que achavam mais coerente para assumir o cargo que fosse.
Fiquei em casa, rodando de um lado para o outro, abrindo e fechando a geladeira, em busca de respostas, de soluções, de uma definição pra tudo isso. Até hoje não sei o porque, mas liguei o rádio para tentar ter uma noticia mais imediata. Tentava buscar uma freqüência de uma rádio que gosto, mas não encontrava. Na verdade não encontrava nenhuma rádio, não conseguia sintonizar nenhuma delas. Indignado, tentei mais uma vez, e no final das freqüências, encontrei uma rádio que se auto denominava de “rádio pirata”.
“É povo amado do Brasil, o que estamos vivendo hoje é um dia para entrar na nossa história. A partir de hoje, as coisas serão diferentes. Estamos cada vez mais abrindo os nossos olhos, e vendo a luz no fim do túnel, que sempre esteve ali, mas nunca andamos até ela. Vivemos em uma sociedade que roubar dá status. Aquele que não rouba não sobrevive, e quem rouba pouco é imbecil. A própria maquina eleitoral e estado pagam para os meios de comunicação apoiarem um candidato ou outro, manipularem as informações e conseqüentemente distorcê-las. Fazer com que a população pense que está tudo bem, quando não está. Mais uma vez digo, a qualquer momento podemos ser tirados do ar, mas esperamos que fique esta mensagem. É chegada a hora de fazer algo, e porque você não pode dar o primeiro passo, em vez de ficar só reclamando? Tem uma metáfora que diz que temos que plantar a semente, mas, acredito que antes disso, a terra tem de ser arada. A mudança é lenta, mas se acreditamos nisso, a maioria pode fazer que suba alguém que realmente ame tudo isso. Repito, a qualquer momento podemos sair do ar”.
As palavras do radialista eram realmente muito bonitas e ufanicas. Elas atiçavam uma reflexão, uma grande reflexão. Ainda ficaram no ar por mais uma hora, que foi quando faltou luz. Pensei, agora “a casa cai”. Depois de tudo que aconteceu, ainda por cima a luz cair...algo estava por trás de tudo aquilo.
Por volta das 16h, a luz volta. Ligo ansiosamente a televisão. Percebo que em todos os canais, alguém ligado ao TRE diz que “tudo está sobre controle povo brasileiro. Esse fato foi algo que deve ser esquecido das nossas memórias. Um ato vândalo e insensato. Todas as urnas ligadas com a greve foram presas e levadas até a nossa fábrica para terem seus sistemas reinstalados. Novas urnas já estão nos postos eleitorais de todo o Brasil esperando o seu voto. Vamos as ruas votar”.Achei isso algo completamente absurdo, mas quando caminhei novamente a minha sessão eleitoral, percebi que era o único que pensava assim. Era como se as pessoas tivessem esquecido completamente tudo que tinha acontecido horas atrás. A sessão eleitoral parecia que não tinha havido problema algum. E as pessoas felizes e sorridentes votavam e voltavam as suas casas esperando, ansiosas, o resultado das eleições, que por sinal foi divulgado oficialmente as 4:37h de segunda-feira.
Passados 1 mês da eleição, era como se o fato nunca tivesse existido. Alguns estudantes que tentaram continuar com a revolta, foram presos. Os meios de comunicação voltavam à atenção do povo para outros fatos importantes ou não da sociedade.
Sei, que no final das contas, já se passaram quase 3 anos da –para mim- polemica eleição, e o povo reclama das mesmas coisas que há 3 anos reclamavam, que há 4,8,12 anos também reclamavam. Os esquemas continuam e, por conseguinte toda a roubalheira. Agora temos a CPI das lavanderias, o processo contra a compra dos votos e tudo mais que não muda.

A democracia é uma invenção da modernidade. Acredito, que como criadores, deveríamos poder mover nossa criação e direciona-la de forma adequada, mas não é isso que está acontecendo. Fico a pensar no que a “minha urna” me disse, e que se será necessário outra revolução das urnas, ou se ficaremos esperamos que os celulares, os aparelhos televisivos e também os de rádios, os computadores também façam greves e nos mostrem o que devemos fazer? Aonde está a tal inteligência que nos separa de todo o resto, e aonde usamos o nosso “polegar opositor”?
São dúvidas que não cabem a mim responder, pois não votarei por você, não respirarei por você, e muito menos viverei por você, nem por cada um que lê esta “matéria”(?). “E por mais louco que possa parecer, não ouça, pois posso ser apenas mais um tijolo daquele muro que você quer passar”.
